Testes do exame psicológico da PM-SP: o que pode ser aplicado e como funciona
O exame psicológico para soldado da PM-SP reúne diferentes testes para avaliar características previstas no perfil exigido pela corporação. Entenda como funcionam o palográfico, os testes de inteligência, personalidade, atenção e memória.
O exame psicológico é uma das etapas mais difíceis do concurso para soldado da PM-SP. Em algumas turmas, a reprovação chegou a 60% ou 70% dos candidatos. Quando fiz o concurso da polícia, em 2008, essa já era a fase que mais eliminava, com índice próximo de 70%. Houve concurso em que a reprovação chegou a 80%.
Apesar desses números, muitos candidatos começam a avaliação sem saber quais tipos de teste podem encontrar durante os três dias de exame psicológico. Essa falta de familiaridade aumenta o nervosismo, dificulta a compreensão das instruções e pode prejudicar a execução.
Por isso, você precisa entender o que os testes avaliam, como os principais modelos funcionam e por que passar por uma avaliação semelhante em outro contexto não significa que o resultado será suficiente para o perfil exigido pela Polícia Militar.
Por que a PM aplica uma bateria de testes psicológicos?
O perfil psicológico exigido para soldado da PM-SP reúne 14 itens. Durante os três dias de avaliação, a Polícia Militar utiliza diferentes instrumentos para medir essas características.
A ansiedade, a inteligência, a atenção, a memória e outros aspectos não são avaliados apenas por uma conversa ou uma impressão geral. Cada teste fornece indicadores que ajudam a identificar em que nível está determinada característica: abaixo da média, na média ou acima da média, de acordo com os parâmetros usados na avaliação.
O problema é que encontrar um teste psicológico pela primeira vez pode ser muito difícil. Além de lidar com o tempo e com as próprias questões, você precisa compreender as instruções e executar corretamente uma tarefa que nunca viu. Se interpretar algo errado, o nervosismo pode aparecer e afetar o restante da avaliação.
Conhecer previamente os tipos de teste ajuda a reduzir essa carga de ansiedade. Isso não significa decorar um único modelo, porque a PM pode trocar os instrumentos de um concurso para outro. Alguns testes são tradicionais e aparecem com frequência, enquanto outros entram e saem da bateria aplicada.
Palográfico: o teste pode ser igual, mas o perfil exigido é diferente
O palográfico é um dos testes mais conhecidos. É aquele em que o candidato faz uma sequência de traços, os chamados “palitinhos”. Muitas pessoas já tiveram contato com ele durante o processo para obter a CNH ou em uma seleção de emprego.
É comum o candidato pensar: “Eu fiz o palográfico na CNH e fui aprovado, então estou tranquilo”. Mas essa conclusão está errada.
O instrumento pode ser o mesmo, seja na CNH, em uma empresa privada ou no concurso da polícia. O que muda é o perfil usado para interpretar o resultado. O teste mede características como ansiedade, relacionamento e impulsividade, entre outras, mas cada processo estabelece o nível considerado adequado para sua finalidade.
Imagine que o resultado indique ansiedade na média. Esse nível pode ser aceito na avaliação da CNH ou em uma empresa privada. No perfil exigido para soldado da PM-SP, porém, a ansiedade deve ser diminuída, ou seja, abaixo dos níveis medianos.
Portanto, ter sido aprovado no palográfico em outro contexto não significa que você será aprovado no exame psicológico da PM. O teste pode ser igual, mas o perfil exigido pela corporação é mais rigoroso. É necessário separar uma situação da outra e compreender o que cada processo avalia.
G38 e os testes de inteligência não verbal
Outro teste comum é o G38, um instrumento de inteligência não verbal e raciocínio lógico. Ele apresenta figuras organizadas de acordo com determinada sequência, e você precisa identificar a lógica para completar o conjunto.
Um exemplo simples seria uma linha com quadrado, círculo e triângulo. Em outra linha, aparecem triângulo e quadrado, faltando a última figura. Ao reconhecer a lógica da sequência, você conclui que a resposta é o círculo. As questões ficam mais complexas conforme o teste avança, mas o princípio é identificar padrões e completar a figura ausente.
O G38 possui 38 questões. Isso não significa que você precise obrigatoriamente acertar todas. No perfil exigido pela PM-SP, o quesito inteligência deve estar adequado, na média. A avaliação considera uma faixa de desempenho compatível com esse nível, e não a obrigação de gabaritar.
O G38 também não é o único instrumento possível. Existem modelos como G36 e TIG, além de outros testes de inteligência não verbal. A polícia pode alternar entre eles, mas a lógica geral é semelhante: avaliar seu raciocínio por meio de figuras, padrões e relações que não dependem de linguagem verbal.
BFP e os inventários de personalidade
A BFP, sigla para Bateria Fatorial de Personalidade, trabalha com uma série de afirmações. Para cada uma, o candidato marca quanto concorda ou discorda dentro de uma escala.
Uma afirmação poderia ser: “Prefiro casa de praia a casa de campo”. Em uma escala de um a cinco, por exemplo, o número cinco poderia representar “concordo totalmente”, enquanto o número um significaria “discordo totalmente”. Os valores intermediários indicariam diferentes graus de concordância ou discordância.
Existem outros modelos de inventários de personalidade, como o IFP, e as escalas podem variar. Alguns usam cinco opções; outros trabalham com sete ou com formatos diferentes. A lógica, entretanto, permanece semelhante: suas respostas formam um conjunto que permite avaliar características de personalidade previstas no perfil.
Esse tipo de teste exige atenção ao significado das afirmações e coerência no conjunto das respostas. Não se trata apenas de uma pergunta isolada. O instrumento apresenta muitas afirmações e cruza indicadores ao longo da avaliação.
É justamente por isso que conhecer somente a aparência de um teste não resolve toda a preparação. Você precisa compreender o perfil exigido e trabalhar as características avaliadas, em vez de depender da repetição exata de um questionário.
Atenção concentrada, atenção difusa e memória
A atenção concentrada mede sua capacidade de manter o foco em uma única tarefa ou em um elemento específico. Já a atenção difusa avalia a capacidade de distribuir a atenção entre diferentes estímulos.
Embora os dois testes tratem de atenção, eles medem capacidades distintas. Uma pessoa pode ter facilidade para se concentrar profundamente em uma atividade e, ao mesmo tempo, apresentar dificuldade para acompanhar vários elementos distribuídos no ambiente.
Também existem testes específicos de memória. Essa característica integra os 14 itens previstos no perfil psicológico de soldado da PM-SP e, por isso, pode ser avaliada por um instrumento próprio.
A PM pode substituir um modelo de atenção, memória, raciocínio ou personalidade por outro. O teste é a ferramenta; o objetivo é medir a característica prevista no perfil. Se você trabalha apenas a reprodução de um modelo, pode ficar perdido quando a banca fizer a troca. Se trabalha a capacidade avaliada, consegue lidar melhor com diferentes instrumentos destinados ao mesmo quesito.
Conhecer os testes e trabalhar as características são ações complementares
Você precisa conhecer os principais testes para não chegar completamente surpreso à avaliação. É importante entender o palográfico, os testes de raciocínio, os inventários de personalidade e os instrumentos de atenção e memória.
Ao mesmo tempo, não pode ficar refém de um modelo específico. A preparação mais consistente une duas frentes: familiaridade com os testes tradicionais e exercícios voltados aos itens cobrados no perfil.
Essa combinação reduz a insegurança causada pelo desconhecimento e trabalha a origem da dificuldade. Assim, se a PM trocar um G38 por um G36, ou utilizar outro instrumento para avaliar atenção, você não dependerá exclusivamente de ter visto exatamente aquela folha antes.
Como funciona a preparação no Plano Avançado
No Plano Avançado, minha mentoria para as etapas finais do concurso, você recebe acesso a um aplicativo com exercícios destinados aos 14 itens cobrados no perfil psicológico. O sistema mostra o que já foi explorado, quais exercícios estão marcados como prioridade e o que ainda precisa ser trabalhado.
Os exercícios ajudam a desenvolver características como memória e atenção. Você realiza atividades diretamente pelo celular e acompanha quais pontos estão em um nível bom e quais ainda precisam melhorar. Dessa maneira, a preparação não fica limitada à tentativa de prever qual teste aparecerá no dia.
As aulas complementam esse trabalho ao apresentar os principais tipos de teste. Você aprende sobre o palográfico, as baterias de personalidade e os instrumentos de raciocínio, entre outros. A proposta é conhecer os formatos sem ficar dependente de um único modelo.
Além do aplicativo e das aulas, você recebe acesso ao grupo de WhatsApp e às videochamadas semanais conduzidas pela psicóloga para atender os alunos e esclarecer dúvidas. O acompanhamento também abrange TAF, exame médico, investigação social e documentação, seguindo com você até a posse.
Você não paga nada para entrar no Plano Avançado. Se não for aprovado em todas as etapas, não paga R$ 1. O pagamento acontece somente se você passar por tudo, já estiver dentro da Polícia Militar, trabalhando e recebendo seu salário.
Nesse caso, o valor corresponde a três salários, mas não é cobrado à vista. O pagamento é feito em parcelas pequenas e sem juros, usando o próprio salário recebido na PM.
Faço esse trabalho desde 2009, há quase 20 anos. Milhares de pessoas que hoje estão fardadas, patrulhando e trabalhando em viaturas passaram pelo Plano Avançado. Ninguém tem tantos alunos aprovados dentro da polícia como o Plano Avançado.
Se você já passou pela prova e está perto das etapas finais, não faz sentido tratar o psicológico como sorte ou arriscar uma reprovação por falta de orientação. Faça seu cadastro no Plano Avançado. Você recebe os acessos e nós começamos a trabalhar juntos até o dia da sua posse.
Fontes e referências
Vídeo original publicado em .
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